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Resultados da Consulta Nacional FNE/AFIET - Burocracia e excesso de trabalho no topo das preocupações


24 julho 2026

Notícias FNE

Resultados da Consulta Nacional FNE/AFIET - Burocracia e excesso de trabalho no topo das preocupações
Esta Consulta teve por objetivo conhecer a avaliação que os Educadores e Professores fazem das condições de exercício profissional em Portugal, no termo do ano letivo de 2025/2026.

O estudo foi realizado entre os dias 12 e 26 de junho de 2026, constituindo-se uma amostra de 3174 docentes que no ano letivo de 2025/2026 lecionaram nos níveis de ensino Educação Pré-escolar, 1.º, 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico, Ensino Secundário, Educação Especial e Ensino Profissional, em Portugal Continental, Regiões Autónomas e Estrangeiro. 

Na consulta deste ano, registaram-se 3174 respostas, o que é um número que supera o valor médio de participantes das consultas dos anos anteriores, que é de aproximadamente 3113 respostas. 

Na consulta deste ano, as dimensões apreciadas foram: 

- Bem-estar e desenvolvimento profissional; 
- Condições de exercício profissional;
- As novas ferramentas digitais e o ensino;
- Indisciplina em contexto escolar;
- Formação contínua.

Carreira e condições de trabalho

Os resultados revelam uma profissão profundamente comprometida com a sua missão educativa, mas confrontada com um conjunto de constrangimentos que colocam em causa a sua sustentabilidade futura.

Os docentes manifestam uma forte identificação com a profissão e um elevado sentido de responsabilidade perante os seus alunos. Contudo, esse compromisso convive com um sentimento generalizado de desgaste, de desvalorização profissional e de crescente dificuldade em responder às múltiplas exigências colocadas pela escola contemporânea.

A profissão continua a ser sustentada pela vocação dos educadores e professores, mas a vocação, por si só, já não é suficiente para compensar a degradação das condições de exercício profissional.

O excesso de trabalho e a carga burocrática aparecem como áreas de maior preocupação para os participantes, escolhidas por 91,4%, seguindo-se, com 86,5% o comportamento dos alunos, e com 80,0% a progressão em carreira.

À pergunta para se saber se incentivariam um jovem a escolher ser professor, são este ano 71,0% os que negam, embora este dado constitua um novo passo de melhoria em relação aos anos anteriores.

A quantidade de trabalho administrativo que teve de realizar voltou a ser o desafio deste ano assinalado por maior número de participantes, seguindo-se, por ordem a conciliação do tempo de trabalho com a vida familiar e pessoal e a (in)disciplina dos alunos.

As novas ferramentas digitais e o ensino

Continua elevada – mantendo-se nos 65,8% - a percentagem dos que discordam da utilização de manuais digitais no processo de ensino-aprendizagem dos alunos.

64,6% afirmam que têm procurado acompanhar as transformações digitais e aplicá-las na sala de aula, e este ano são já 51,5% os que afirmam que recorrem ao uso de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa em Educação (tipo ChatGPT) na preparação das suas aulas, embora sejam 54,4% os que dizem que não recorrem ao uso de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa em Educação (tipo ChatGPT) nas atividades desenvolvidas nas aulas. Mas deve assinalar-se que na consulta do ano passado estes eram 73,1%.

Indisciplina em contexto escolar

Para 53,8% dos participantes, o grau de indisciplina em sala de aula em relação ao ano anterior foi superior ou muito superior.

O problema de comportamento dos alunos que mais preocupa os participantes no seu dia a dia foi a incapacidade de seguir regras, seguida da conversa em sala de aula, da violência entre alunos e do abuso verbal.

Formação contínua

É muito elevado o número de participantes nesta consulta que afirmam ter frequentado este ano uma ação de formação contínua.

Em termos de suficiência da oferta de formação contínua do respetivo Centro de Formação, este ano é de 29,4% o número de participantes que a considera insuficiente.

Neste ano letivo, 34,0% dos participantes afirmaram que tiveram de pagar para frequentar ações de formação contínua, por não ter acesso através do seu Centro de Formação.

Leitura da evolução das perceções dos docentes

A comparação dos resultados das sucessivas Consultas Nacionais promovidas pela FNE e pela AFIET ao longo dos últimos 5 anos permite identificar tendências que ultrapassam largamente as circunstâncias específicas de cada ano letivo. Mais do que um retrato conjuntural, os dados revelam a evolução das representações que os docentes constroem acerca da sua profissão, do seu bem-estar, das condições de exercício profissional e da relação entre o reconhecimento social e a valorização da carreira.

Uma das dimensões que revela maior estabilidade negativa ao longo dos anos é a perceção do reconhecimento social da profissão.

Embora se observe uma ligeira melhoria em 2025 e 2026 relativamente aos resultados de 2023 e 2024, a maioria dos docentes continua a considerar que a profissão não é devidamente reconhecida pela sociedade. 

A remuneração permanece como um dos principais fatores de insatisfação

Ao longo de todos os anos analisados observa-se uma estabilidade quase absoluta relativamente à perceção da remuneração.

Mais de nove em cada dez docentes continuam a considerar que o salário não corresponde às qualificações e competências exigidas para o exercício da profissão. 

A burocracia continua a constituir o principal fator de desgaste profissional

Poucos resultados apresentam tanta estabilidade como aqueles relativos ao excesso de trabalho administrativo.

Ano após ano, este surge como a principal preocupação dos docentes, mantendo valores muito elevados e praticamente inalterados. Simultaneamente, a maioria considera que o tempo dedicado às tarefas burocráticas continua muito elevado e que muitas dessas tarefas são pouco úteis ou mesmo inúteis. 

A saúde e o bem-estar emocional transformam-se numa preocupação estrutural

Outro dos resultados mais marcantes prende-se com a evolução das preocupações relacionadas com a saúde física e emocional.

Os níveis de preocupação mantêm-se muito elevados em todos os anos observados, refletindo que o desgaste profissional deixou de ser entendido como uma dificuldade individual para assumir claramente uma dimensão coletiva.

A indisciplina emerge como uma preocupação crescente

Os resultados relativos à disciplina revelam igualmente uma tendência consistente.

A maioria dos docentes considera que a indisciplina aumentou ou se mantém elevada, sendo a incapacidade de seguir regras, a conversa constante na sala de aula e a violência entre alunos algumas das preocupações mais frequentemente referidas. 

Mais significativo ainda é o facto de o comportamento dos alunos surgir, em 2025 e 2026, entre os aspetos que mais preocupam os docentes no exercício da profissão. 

Uma profissão que acompanha a inovação tecnológica

Os resultados relativos à transformação digital apresentam uma evolução muito interessante.

Os docentes demonstram crescente confiança na sua capacidade para acompanhar a inovação tecnológica e aumentam significativamente a utilização de ferramentas de Inteligência Artificial na preparação das aulas e no desenvolvimento das atividades pedagógicas. 

Professores continuam a ser um dos maiores ativos da escola pública

Ao compararmos as escolhas da consulta deste ano com as dos anos anteriores, e ao verificarmos que algumas das reivindicações do passado ou desapareceram ou se atenuaram, não podemos deixar de as interpretar como o efeito do acordo celebrado pela FNE com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação no dia 21 de maio de 2024, para a recuperação integral do tempo de serviço e para determinação de condições excecionais de desenvolvimento de carreira.

Os resultados desta Consulta mostram que a dedicação dos professores continua a ser um dos maiores ativos da escola pública. Mas nenhuma escola pode assentar indefinidamente apenas na dedicação dos seus profissionais. 

CONSULTE AQUI OS RESULTADOS COMPLETOS DESTA CONSULTA 



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